agosto 13, 2006

Esta Juventude esta perdida!

Não é novidade para ninguém que esta juventude está perdida. Aliás, não é novidade nenhuma que a juventude está perdida desde sempre. Basta ser-se jovem para se estar à beira do armagedão. Acho que já a avó da minha avó achava isso da juventude do tempo dela. E hoje, nós, os jovens, não fugimos à regra.
Não sei se compreendo esta obsessão. Porque insistem em fazer de nós uns capetas? Será que seriamos mais dignos se continuassemos a ler à luz do lampião e a usar ceroulas? Será que não entendem que as pessoas são as mesmas, mas apenas mais...sofisticadas? E quando eu falo em sofisticação, não me refiro a verdadeiras mutações, a evoluções bizarras... Não, ainda não nos é permitido ler os pensamentos uns dos outros, e as crianças não nascem já, efectivamente, com um mp3 incorporado (engraçado, eu nem sequer tenho um mp3)...afirmo, apenas, que agora temos mais coisas, vivemos com mais conforto, com mais meios...mas ainda assim, somos feitos dos mesmos tecidos e respiramos os mesmos ciclos.
A minha avó acha que hoje em dia existe um défice de valores morais. E eu ponho-me a pensar nas atrocidades que se faziam no tempo dela e que hoje, graças aos tempos, não se fazem mais. E pergunto-me a que raio de valores morais está ela a referir-se.
A minha juventude está perdida porque usa calças rasgadas e gosta de ir a discotecas, mas isto, que eu considero ser ridiculamente inofensivo, é visto como pouco ou nenhum brio, e má formação! Se calhar podiamos voltar aos espartilhos e às camisas de noite com o 'buraquinho' para que não se veja nada de impróprio, contudo não desleixando na procriação. A juventude de hoje quer viajar, jantar fora com os amigos, chegar tarde a casa de vez em quando...e isso, que para mim é aproveitar a vida, viver bons momentos, fugir à rotina, é considerado irresponsabilidade e falta de objectivos. Se calhar era melhor quando se era obrigado a trabalhar aos 8 anos, a ajudar o pai ou o tio, que não eram flores que se cheirassem e arreavam tareias de meia-noite, deitar às 7h da tarde e rezar para não acordar no dia seguinte. A juventude de hoje não quer casar muito cedo...e somos chamados de debochados. Mas se calhar casar aos 16 anos, com um gajo qualquer que agradou aos velhos, ter uma porrada de filhos e ser abandonada em casa pelo marido que foi para Angola fazer filhos bastardos, dizendo que ia caçar...pinguins!.. Isso sim era sinal de grande formação.
Hoje temos informação, mas temos informação demais...segundo alguns. Portanto é bem melhor entrar num casamento sem saber de que raio é feito um homem (ou uma mulher) e apanhar o maior susto da nossa vida...ou andar dias e dias atormentadas por achar que podemos engravidar só por nos sentarmos numa cadeira ainda quente (mas que raio...?). E o pior é que ainda há gente assim... "No outro dia, limpei-me com a toalha do Cajó. Estarei grávida? Ivone, 17 anos, Remelas de Cima".
A minha avó diz que a noite é para os homens, que as 'meninas' não andam na rua a essas horas. E eu questiono-me: "mulher, há quantas décadas não pões os cotos na rua depois das 8h da noite!!?". Para ela a visão da noite é qualquer coisa como uma cidade deserta, com gandulos a espreitar nas esquinas e putas a bater nos clientes que não pagaram. Sim, também há disso...! Mas não só, e não em todos os lados! Se ela visse a quantidade de bezerros mal desmamados que andam por aí a altas horas...e nos sitios mais inesperados (bem, agora já nada me espanta), iria perceber que a noite é apenas a continuação da manhã, não existe mais grande destinção, é tudo o mesmo dia. Não que eu ache isso de grande valor. Eu não deixaria o meu flho de 12 anos entrar numa discoteca. Mas, so para confirmar, eu já tenho 20 anos. E quando tinha 12 anos, não ia a discotecas...nem tinha vontade.
Mas o maior de todos os probelmas é a falta de fé. A minha avó enche-me de predicados, mas não consegue evitar aquele olhar de "oh que pobre diabinho és tu, minha netinha" por não acreditar em Deus...ou pelo menos no Deus dela. Mas se formos filosofar sobre as diversas formas de fé e sobre todas as alternativas que há para se viver, igualmente, uma vida espiritual satisfeita sem ir à missa e sem rezar o terço, entra-lhe por um ouvido e sai-lhe pelo outro. Não vale a pena.
Eu não sei onde foi que erramos. Não sei se é apenas uma forma de remoerem a saudade que têm da própria juventude já ida há muitos anos... Mas a verdade é que sempre se ouvirá, nas carruagens de metro, ou nas salas de espera dos hospitais "esta juventude está perdida!". No fundo, se estamos perdidos foi porque alguém não nos soube guiar. A culpa é então de quem?

Ana Luelmo

5 Comments:

At 6:29 da tarde, Anonymous KotaKareka said...

Tiraste-me as palavras da boca. É como dizia o outro: "Ai, que saudades eu tenho do tempo do Salazar...!"
- Chiça, avozinho, não me diga que era fascista!
- Não, mas era novo.

 
At 10:31 da tarde, Anonymous Anónimo said...

Wow, espantosamente verdade. Concordo em tanto contigo. E essa ultima frase aí entao... a serio. Continuem, adoro o vosso trabalho aqui no blog :) *

 
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